Capoeira, percussão, lendas e alegria: o Brasil chega a Portugal na Rock Street

28 maio 2016

O Rock in Rio é uma festa interminável: são copos com os amigos, karaokes, sofás insufláveis, beijos sob as sombras das árvores, cultura, solidariedade, consciência ambiental e muita animação – com música à mistura.

E, todos os anos, a rua com mais vida desta cidade do rock é, indubitavelmente, a Rock Street, com o seu palco próprio e os transeuntes que acabam por ficar grudados a vibrar com os ritmos celtas dos pubs do Reino Unido ou o jazz afável dos bares de Nova Orleães. Mas, este ano, a festa é sentida mais de perto. Com uma rua brasileira, edifícios de diversos pontos do país, e várias alusões à cultura de um Brasil que nos é tão próximo – ainda que fique noutro continente, a um oceano de distância – a Rock Street afirma-se ainda mais como um ponto de paragem obrigatória. Porém, a rua não é feita apenas da fachada de edifícios ou de canteiros floridos: é feita das pessoas que animam e fazem a festa acontecer.

Residentes no palco mais quente do recinto junta-se um grupo de capoeira a um boi muito especial, a percussionistas, sambistas e músicos. São brasileiros residentes em Portugal ou que chegam de Pernambuco, da Bahia, de diversos pontos do seu país… Que sorriem com mais convicção por saberem que o público que os recebe partilha a mesma língua.

“Não é só rock, há muita cultura envolvida”, afirma veemente um dos irmãos responsáveis por dar a conhecer aos portugueses o Bumba Meu Boi. O Bumba Meu Boi ou Boi-Bumbá é uma dança folclórica brasileira ligada à morte e ressurreição de um boi. Com ligação a diversas tradições: de África à Índia ou até mesmo à Europa, talvez tenha sido imortalizada por episódios como o do Boi Voador que chegou a ser cantado por Chico Buarque.

De um boi tão querido pelo povo que é reconhecido como património cultural pelo Instituto do Patrimónico Histórico e Artístico Nacional brasileiro passamos para algo que, em novembro de 2014, foi considerado pela UNESCO Património Cultural Imaterial da Humanidade: a capoeira. E há arte mais completa que esta? Aliando o desporto, as artes marciais, a cultura e a música é constituída por golpes e movimentos: de pontapés a rasteiras, de punhos em riste a diversas acrobacias. Talvez o seu traço mais forte seja mesmo a sua musicalidade: para a sua prática, aprende-se a tocar instrumentos típicos e a entoar diversas canções. Pela vertente mais física e os movimentos fluídos e ritmados de luta, é uma arte com ainda muito pouca presença feminina, como nos referiu a única rapariga do grupo. 

No desfile que, todos os dias, passeia pela rua antes de terminar com várias demonstrações desta arte na base do palco da EDP Rock Street, os praticantes de capoeira dividem espaço com os tão famosos sambistas e até com uma baiana vestida a rigor. Quem encerra a parada são os percussionistas. Com uma “batucada”, deixam todos com vontade de tirar o pé do chão. Transpirando ritmo e alegria, nunca perdem o sorriso e convidam todos a acompanhá-los com uns passos de dança.

Com esta rua tão quente, com uma língua tão familiar e tanta gente disposta a animar a festa, sempre de sorriso no rosto, se passarem pelo Rock in Rio é aqui que vão querer estar.

 

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