Rock in Rio Lisboa: O fenómeno do sofá vermelho

28 maio 2016

Um festival de música com muitos patrocínios, e com dezenas de milhar de pessoas todos os dias no local, as marcas presentes rivalizam na oferta de produtos que lhes dão visibilidade. A Vodafone (telecomunicações, o patrocinador principal) conseguiu um tal sucesso com a oferta de sofás de plástico que nem os responsáveis conseguem explicar.

“Não tenho uma explicação, já fiz três edições do Rock in Rio e não tenho”, diz à Lusa um responsável pela fábrica de sofás. Pelo vale do recinto espraiava-se, pelas 18:00, uma longa fila com cerca de 700 pessoas, cada uma delas a ter de esperar uma média de uma hora e meia para no fim levar um sofá vermelho de plástico com a imagem da marca.

Para este ano a Vodafone preparou 40 mil sofás (25 mil há dois anos), que são enchidos no local com ar. Pelo recinto, mas principalmente junto do palco principal, também distribui lenços, uma ação de marketing mais modesta do que a “fábrica”, com 30 pessoas a trabalhar por turnos, até à meia-noite, com 400 pessoas em fila mal abriram as portas do Rock in Rio, pelas 16:00.

“Ontem esgotámos às 23:45. Quando encerrámos havia ainda 150 pessoas na fila”, conta a fonte oficial, acrescentando: “as pessoas sabem que isto existe, é um fenómeno, sem dúvida, e hoje especialmente está como nunca”.

Em dia de Maroon 5 no palco principal o espaço do Rock in Rio começou a encher cedo com muitos jovens e as filas são longas para tudo. Centenas esperam para pintar a cara de verde na iniciativa Face for Green, da Sociedade Ponto Verde, em defesa de festivais sustentáveis. Não há ofertas, apenas a cara pintada de um verde que à noite vai brilhar.

Não muito longe estende-se outra fila para subir ao palco da Yorn (telecomunicações), onde a iniciativa chamada “Bundalicious” mete fitas amarelas na cabeça dos que entram e dançam. Há três bailarinos profissionais a ensinar até às 19:00 e depois sempre que param os concertos no palco principal.

A cada seis minutos entra nova “fornada” de candidatos a bailarinos para o palco, seja porque recebe uma fita para a cabeça, seja porque gosta de dançar, da música ou porque sim. E a fila vai crescendo.

No stand da EDP também se dança e quem participa nesta atividade leva para casa uma peruca branca insuflável, brinde que também vai sendo distribuído no recinto ao longo do dia.

A marca colocou ainda perto da zona VIP dois ‘sobe e desce’, que têm feito a alegria das crianças e não só.

A Samsung (eletrónica) optou por proporcionar duas experiências de realidade virtual: uma viagem numa montanha russa e a queda de ‘bungee-jumping’ na cratera de um vulcão. Além disso, no stand desta marca é ainda possível tirar-se fotografias a 360º, vestido de super-herói, numa cúpula.

Para levar para casa há umas golas azuis, oferecidas no stand, na loja da Rock Street e pelo recinto.

E há ainda outras experiências que juntam centenas em filas: o slide e a roda gigante, presenças habituais na ‘cidade do rock’.

Tudo contabilizado, quem quiser levar para casa todas as ofertas das marcas ou participar nas experiências não tem tempo para ver os concertos.

 

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